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Dados biométricos: o equilíbrio entre segurança, experiência e a LGPD

Dados biométricos: o equilíbrio entre segurança, experiência e a LGPD


 

Florianópolis, 06 de Fevereiro de 2026

 

Como equilibrar segurança, experiência do público e conformidade com a LGPD

Atualmente, vivemos em um cenário em que a tecnologia avança em uma velocidade cada vez maior, transformando a forma como interagimos com o mundo e seus dados. O que antes era visto como algo restrito a softwares de saúde ou ao desbloqueio de smartphones, hoje é a engrenagem que movimenta, também, grandes estádios e festivais. No entanto, em um mercado cada vez mais dinâmico, surge o questionamento de como equilibrar essa agilidade tecnológica com a segurança jurídica e a privacidade individual.

Os dados biométricos há muito tempo deixaram de ser uma tecnologia vista apenas em filmes de ficção científica. Hoje, eles são a chave para acessar contas bancárias e sistemas particulares. No entanto, agora que seu uso se expandiu para ambientes de grande circulação, a segurança e a experiência do usuário se encontram com a legislação de proteção de dados.

Este dilema foi o principal ponto do podcast Desvendados, da Toccato, que reuniu especialistas sobre o assunto com diferentes vieses. Do lado da prática, Ricardo Cadar, fundador da Bipes, e, com o olhar voltado para a legislação, Larissa Pigão, advogada especialista em proteção de dados. 

O que realmente são dados biométricos?

“O dado biométrico é tudo que você com a sua identificação única, você pode identificar o indivíduo, seja pelo comportamento, seja pela face, seja pela íris, seja pela digital.”

Antes de entender como e para que funcionam, é preciso ir a fundo com uma questão mais básica sobre os dados biométricos: o que, exatamente, eles são? Muitos associam a biometria apenas à digital ou ao reconhecimento facial, mas o conceito é muito mais profundo, envolvendo tudo o que torna um indivíduo único, desde aspectos físicos até padrões comportamentais online ou presenciais.

A biometria é o único dado que é ligado exclusiva e verdadeiramente à cada pessoa. Você pode mudar de senha, de endereço ou qualquer outro aspecto do tipo, mas a biometria da sua íris e sua digital permanecem únicas no mundo. É por essa particularidade que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) classifica a biometria como um dado sensível, exigindo diversificadas camadas de proteção mais robustas do que dados comuns, como nome completo ou CPF.

Os pilares da biometria em grandes eventos

O uso de dados biométricos em ambientes públicos, como em shows e estádios, tem o potencial de melhorar significativamente a experiência do usuário. A biometria facilita o acesso, reduz a necessidade de portar documentos físicos e diminui significativamente as filas.

Além da facilidade e rapidez na verificação, o uso da biometria facial, por exemplo, garante ao titular a segurança de que não haverá fraude no ingresso, assegurando que a pessoa que comprou a entrada é, de fato, a mesma que está acessando o evento.

A aplicação da biometria em shows e jogos de futebol é também sobre resolver problemas reais de logística e segurança. No podcast, os especialistas destacaram três pilares fundamentais que sustentam essa inovação:

  1. Segurança contra fraudes: garante que o portador do ingresso é, de fato, quem comprou, combatendo a falsificação.
  2. Experiência do usuário: redução de filas e a eliminação da necessidade de documentos físicos. O “check-in” se torna mais rápido e prático.
  3. Segurança pública: integração com órgãos governamentais, que permite identificar indivíduos com mandados de prisão em aberto no momento do acesso, por exemplo.

A biometria também desempenha um papel essencial na segurança pública. Em estádios, por exemplo, os dados dos compradores de ingressos (CPF, e-mail, telefone) são enviados ao Ministério da Justiça. 

No Allianz Park, por exemplo, essa tecnologia já auxiliou na prisão de mais de 200 pessoas, desde casos de pensão alimentícia até crimes mais graves, como homicídio. O torcedor pode se sentir mais seguro ao saber que quem está sentado ao seu lado passou por um filtro rigoroso de identificação.

Por que a transparência precisa ir além do “aceito os termos”

É comum consentir para o uso das características faciais e biométricas em academias, prédios comerciais e aplicativos sem questionar exatamente para onde esses dados vão ou como serão protegidos, por isso, um dos grandes desafios discutidos nessa vertente é a chamada “educação digital”, que garante que cada cidadão saiba questionar e entender exatamente o que será feito com seus dados.

A legislação não veio para paralisar essa evolução e facilidade diária, mas para exigir mais ética. Empresas que utilizam biometria precisam adotar o conceito de “Privacy by Design”, que significa criar a ferramenta já pensando na proteção de dados e na experiência segura do usuário.

Antes de concordar com os termos que envolvem o uso dos dados pessoais, é preciso entender que não basta ter uma política de privacidade no site se ela não for aplicada na prática. Um exemplo real: um usuário que morava em um prédio com biometria facial voltou ao local quatro anos após se mudar e a porta abriu automaticamente para ele, mesmo depois do tempo e da promessa de que as faciais cadastradas seriam reavaliadas e, caso necessário, desativadas após um ano.

Desafios técnicos e a polêmica global

Apesar dos benefícios, a tecnologia não é 100% infalível e exige atenção constante. O podcast trouxe à tona questões complexas que ainda desafiam o mercado:

  • Vieses e erros: o uso de biometria facial em câmeras de rua é uma polêmica global. Cidades como São Francisco já proibiram a prática devido ao risco de “falsos positivos” e possíveis abusos de autoridade.
  • O desafio dos gêmeos: mesmo tecnologias avançadas ainda podem ter dificuldades em distinguir gêmeos idênticos. Em ambientes de alta segurança, a regulagem da margem de similaridade precisa ser de extrema precisão, para evitar acessos indevidos.
  • Fronteiras legislativas: enquanto a tecnologia não tem fronteiras, as leis têm. Integrar dados de foragidos internacionais ainda é um processo burocrático e complexo entre diferentes áreas da justiça e segurança.

Como as empresas devem se posicionar?

Para empresas que buscam ser data-driven, a biometria é um caminho sem volta, mas exige extrema responsabilidade. O processo demanda mais do que hard skills técnicas; exige soft skills como transparência, ética e empatia com o titular do dado.

Alguns pontos se destacam para uma implementação de sucesso:

  • Definir a finalidade antes da coleta: o dado coletado para acesso não pode ser usado para marketing, por exemplo, sem um novo consentimento do usuário.
  • Estimular a transparência ativa: disponibilizar termos de uso claros e acessíveis, garantindo que o usuário tenha ciência de como seus dados são utilizados e guardados.
  • Capacitar equipes: garantir que todos os envolvidos no processo entendam a importância da proteção de dados e saibam responder aos questionamentos dos usuários.

Conclusão

Com tudo isso, a biometria não se trata apenas de reconhecer indivíduos pelos rostos ou digitais, ela garante mais sentido e segurança para cada interação humana mediada pela tecnologia. Em um mercado saturado de informações, a vantagem competitiva mais forte pertence às empresas que conseguem unir a eficiência da análise de dados com o respeito absoluto à privacidade do indivíduo.

Quer saber mais sobre como a Toccato e suas soluções podem ajudar sua empresa a gerenciar dados de forma segura e em conformidade com a LGPD? Ouça agora o episódio completo do podcast Desvendados e confira o debate na íntegra com especialistas sobre o futuro da inteligência de dados e biometria!

Acesse aqui o episódio completo.

   

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