Dados biométricos: o equilíbrio entre segurança, experiência e a LGPD
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Florianópolis, 13 de Fevereiro de 2026
Para muitas empresas, o grande desafio atual não é a escassez de dados, mas como eles estão divididos e organizados. O modelo tradicional de centralização, onde uma única área segura todo o conhecimento e processamento das informações, tem sido insuficiente para acompanhar a agilidade exigida pelos negócios mais modernos.
A descentralização, nesse contexto, é uma necessidade estratégica, indo bem além de uma simples escolha da corporação. Afinal, quem entende melhor o valor de um dado do que a área que o gera e o usa no dia a dia? É assim que o Data Mesh vem ganhando tanto destaque entre as grandes empresas, pois propõe uma mudança significativa, transformando a maneira como as empresas enxergam e gerenciam seu “produto” mais valioso: dados e informações.
Este dilema foi o motivador central do podcast Desvendados, da Toccato, que explorou o tema da descentralização e do Data Mesh. O episódio apresentou uma conversa inovadora entre a visão estratégica de Guilherme Tavares e Marilena Cancelier, além da experiência de Vanessa Oliveira Ferreira, superintendente de TI da Tecban e diretora voluntária da IIBA Brasil.
“O dado é de quem utiliza nos seus diferentes perspectivas. O Data Mesh incorpora e traz essa questão como pilar principal. Você centraliza a gestão, mas distribui a utilização, dando autonomia para as áreas.”
Muitas vezes, ao ouvir termos novos no mercado, como Data Mesh, a primeira reação é pensar em uma nova ferramenta ou software. No entanto, essa é, acima de tudo, uma abordagem cultural. O objetivo é tratar o dado como um produto, devolvendo o protagonismo e a autonomia para as áreas de negócio.
Essa descentralização não deve ser confundida com falta de controle. Pelo contrário, ela exige uma governança centralizada e robusta para garantir que a informação seja íntegra, segura e acessível. O papel do TI e das áreas de dados evolui para o papel de facilitadores, criando o ambiente necessário para que essa cultura floresça sem comprometer a segurança, especialmente em tempos de LGPD.
Um dos maiores obstáculos para o sucesso de uma estratégia de dados não é técnico, mas humano. A chamada alfabetização de dados é o que permite que a democratização da informação saia do papel. Não adianta ter dashboards incríveis se as equipes não sabem interpretar o que estão vendo ou como transformar aquele número em uma ação prática.
A cultura data-driven precisa ser estimulada em todos os níveis. Na Tecban, por exemplo, a jornada de maturidade seguiu um framework claro que pode servir de lição para muitas empresas:
Essa proporção mostra que o investimento em treinamento é o que realmente sustenta a inovação a longo prazo. Quando o colaborador se sente confiante para usar o dado no dia a dia, a empresa ganha uma inteligência coletiva muito mais poderosa.
A Inteligência Artificial é, sem dúvida, a grande estrela do momento, mas ela não funciona sozinha. No podcast, Vanessa Oliveira trouxe o exemplo prático da Tecban, que utiliza Machine Learning para prever o abastecimento dos caixas eletrônicos do Banco 24 Horas. É uma operação complexa, que exige que as máquinas estejam disponíveis mais de 99% do tempo.
O sucesso dessa automação só é possível porque houve uma “lição de casa” bem feita: a organização e a governança dos dados. Tentar implementar IA sem maturidade analítica é como tentar construir um prédio sem fundação. A IA potencializa o que já existe. Ou seja, se os dados são ruins, ela apenas entregará decisões ruins de forma mais rápida.
Por isso, antes de buscar a automação total, as empresas precisam garantir que seus dados sejam confiáveis e que existam pessoas capacitadas para monitorar e ajustar esses modelos. A tecnologia evolui, mas a capacidade de análise crítica continua sendo essencialmente humana.
A descentralização de dados é um caminho sem volta para quem quer inovar de verdade. O Open Finance no Brasil é o exemplo mais claro dessa tendência. O conceito de que o dado pertence ao indivíduo, e não à instituição financeira, é a personificação da descentralização e da autonomia.
Para as empresas que querem começar essa jornada rumo ao Data Mesh, o debate trouxe diretrizes valiosas:
No fim das contas, o Data Mesh e a descentralização são sobre dar sentido e agilidade às interações humanas mediadas pelos dados. Em um mercado saturado de informações, a vantagem competitiva real pertence às empresas que conseguem unir a eficiência técnica com uma cultura forte e, principalmente, descentralizada.
Quer entender melhor como equilibrar governança e autonomia na sua empresa? Ouça o episódio completo do podcast Desvendados e confira o debate na íntegra sobre o futuro da inteligência de dados e o impacto do Data Mesh nos negócios!
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